A INOVAÇÃO E A MENTALIDADE EMPREENDEDORA EM MISSÕES

9 de novembro de 2017     0

Por PAUL DZUBINSKI

A inovação exige concentração para ser eficaz. O debate acerca da inovação tem estado focado, no geral, no desenvolvimento de negócios e em avanços tecnológicos. Consideremos, então, qual o significado de inovação quando aplicada à tarefa de levar o evangelho a todo o mundo.

O destaque que Lausanne dá à missão integral é um bom ponto de partida. O Compromisso da Cidade do Cabo afirma:

Missão integral significa discernir, proclamar e viver a verdade bíblica de que o evangelho é a boa nova de Deus, através da cruz e da ressurreição de Jesus Cristo para indivíduos e para a sociedade e para a criação. Todos os três estão feridos e sofrem por causa do pecado; todos os três estão incluídos no amor redentor e na missão de Deus; todos os três devem fazer parte da missão global do povo de Deus.[1]

Tomando esta definição de missão integral como ponto de partida, podemos dizer que o discípulo de Jesus possui três obrigações interligadas com respeito ao evangelho bíblico: discernir, proclamar e viver. O crente as põe em prática em três contextos de missão integrados: a vida individual, na sociedade e na criação.

No que diz respeito à inovação, esta área de aplicação ainda é extensa. No entanto, é adequada para este artigo.

Inovação: o que significa?

Já muito foi escrito sobre inovação. Uma pesquisa rápida no Flipkart e na Amazon apresenta mais de 76.000 obras. Na verdade, um levantamento bibliográfico de literatura acadêmica sugere 41 definições diferentes para inovação.[2] Portanto, se inovação aparenta ser algo avassalador, é porque é. Larry Keeley oferece uma descrição exímia no seu livro sobre inovação e a disciplina de construção do progresso: “Devido à sobreutilização, à má utilização, à propaganda e ao entusiasmo, a palavra inovação perdeu o significado na sua essência. É comum confundirmos o resultado com o processo, e descrevemos tudo com um grau máximo de entusiasmo.”[3]

Tal como em tudo, precisamos escolher uma direção e avançar. Gostaria de começar por explicar qual é, na minha opinião, a melhor forma de encaixe entre inovação e missão integral. A maior parte do que é escrito sobre inovação vem dos campos da tecnologia e dos negócios. A área de inovação social também tem tido um crescimento explosivo. A missão integral partilha alguns aspectos destas indústrias, embora com ênfase na transformação pessoal e social:

  • A definição de inovação nas áreas tecnológica e empresarial é simples e nos dá parte da resposta: “a criação de uma oferta nova viável”.[4]
  • A outra parte da definição pode ser encontrada no campo da inovação social: “a criação e implementação de novas soluções para problemas sociais”.[5]

Daqui podemos construir uma definição que se ajusta à nossa missão: A inovação para a missão é a criação de soluções novas e sustentáveis para os problemas existente, ao discernir, proclamar e viver as boas novas de Deus junto de indivíduos, sociedades e na criação. Ou, para resumir: A inovação missionária é a criação de soluções novas e sustentáveis para os problemas que a missão integral da igreja enfrenta.

Lembre-se de que estes comportamentos e contextos estão todos interligados. Tal como afirma o Compromisso da Cidade do Cabo: “A nossa proclamação [evangelismo] tem consequências sociais quando convocamos as pessoas ao amor e ao arrependimento em todas as áreas da vida. E nosso compromisso social tem consequências para a evangelização na medida que testemunhamos da graça transformadora de Jesus Cristo.”[6]

A presença da palavra “sustentável” nesta definição pode causar alguma confusão. Ela indica a diferença entre uma ideia intuitiva e uma inovação. Em certas ocasiões, temos a certeza de que algo está certo, ou pensamos numa ideia e sabemos que ela é formidável sem necessidade de análise ou planejamento.[7]

Até aí, tudo bem. O que transforma esta ideia em inovação é a capacidade de ela se autossustentar ao longo do tempo. Se alguém estiver num bairro pobre de São Paulo e pensar numa forma de trazer dentistas respeitados e de confiança para servir a população, isso é maravilhoso. Mas até esses dentistas estarem, de fato, servindo as pessoas com regularidade, a ideia não passa disso mesmo, e não é inovação.

Aprendendo com as indústrias inovadoras

Com esta definição à mão, vamos olhar para algumas características da inovação social e das indústrias inovadoras na área dos negócios e da tecnologia. O objetivo é aprender com elas e aplicar o que for útil para os nossos ministérios.

Num artigo da publicação sueca Journal of Systems and Software, os autores identificam quatro áreas gerais para a inovação: produtos, processos, mercados e organizações.[8] A Revista de Administração Mackenzie, editada no Brasil, publicou recentemente uma edição especial dedicada à inovação social. Aqui, inovação social é definida em termos gerais para incluir campos semelhantes: novos produtos e serviços, e novos planos sociais, organizacionais e institucionais.[9] Poderíamos elaborar uma lista quase infindável dos tipos de inovação existentes. Contudo, não nos surpreende encontrar focos de inovação no campo missionário, já que os registos bíblicos apontam para isso mesmo desde o Gênesis.[10]

CLIQUE AQUI E CONTINUE LENDO ESTE ARTIGO EM LAUSANNE.ORG

 

Autor: Movimento de Lausanne

Movimento de evangelização. Toda a Igreja levando todo o Evangelho para o mundo todo.