Levantando os olhos

25 de julho de 2017     0

Muitas pessoas vivem “enclausuradas” no próprio contexto cultural e religioso e não têm uma visão global. Somente quando erguemos os olhos é que podemos enxergar mais ao longe, além das montanhas. O mundo é muito grande e como se não nos bastassem barreiras geográficas, políticas, linguísticas e culturais, o mundo é um grande mosaico de crenças religiosas. Nesse contexto, a nossa visão vai determinar, decisivamente, o escopo e até a qualidade e a intensidade do nosso trabalho no Reino de Deus.


Só quando vemos as necessidades das pessoas é que sentimos o desejo de fazer alguma coisa. Estamos expostos às notícias de catástrofes e estatísticas tão altas do sofrimento humano que nos tornamos insensíveis.


“Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas.” (Mt 9:36) Só quando vemos as necessidades das pessoas é que sentimos o desejo de fazer alguma coisa. Estamos expostos às notícias de catástrofes e estatísticas tão altas do sofrimento humano que nos tornamos insensíveis. Deixamos de ver que atrás da frieza dos números estão vidas preciosas aos olhos do Senhor.

Ao curar um cego na cidade de Betsaida (Mc 8:22-26), Jesus lhe perguntou se via alguma coisa, ao que o homem respondeu: “Vejo as pessoas como se fossem árvores andando”. Jesus pôs outra vez as mãos sobre os olhos dele, que passou a ver muito bem. Aparentemente aquele cego, quando tocado por Jesus pela primeira vez, continuava sofrendo de miopia, via as imagens turvas e desfocadas. Há muitas pessoas no meio evangélico que espiritualmente enxergam, mas só uns borrões. Consideremos o que está escrito em 2 Pedro 1:9: “Pois aquele a quem estas coisas não estão presentes é cego (no texto grego – míope), vendo somente o que está perto.” Há pessoas que só enxergam a necessidade de anunciar o Evangelho em sua vizinhança e não são capazes de ver além. São, portanto, cegos na linguagem de Pedro. A visão correta da extensão da obra por realizar é necessária para que possa ser feito um bom planejamento e desenvolvida uma boa estratégia.


A falta de uma perspectiva correta pode levar a igreja a cometer erros graves de estratégia


A falta de uma perspectiva correta pode levar a igreja a cometer erros graves de estratégia: concentrar maiores esforços missionários em áreas de menor necessidade em detrimento das áreas em que a falta de obreiros é desesperadora. Outros resumem o seu trabalho a movimentos de massa, deixando a impressão ilusória de que já cumpriram amplamente o seu mandato. Despejar milhares de panfletos sobre uma cidade (talvez de analfabetos funcionais) ou até manter um programa de rádio ou de televisão ali não significa que a cidade tenha sido alcançada. Se você para um indivíduo na rua e tenta pregar a mensagem para ele, quanto tempo você vai precisar para ganhar a sua confiança, demonstrando que não é apenas mais um que quer tirar vantagem dele?

Ainda existem milhares de cidades, em muitos países, onde não há nenhum testemunho evangélico. Isso é trágico. Ademais, há muitos países tradicionalmente cristãos nos quais as novas gerações ainda não foram evangelizadas. Talvez devamos orar como o salmista: “Não me desampares, pois, ó Deus, até à velhice e às cãs ̧ até que eu tenha declarado à presente geração a tua força e às vindouras o teu poder” (Sl 71:18).

Autor: Rafael Lopes