A missão, a criança e a família

19 de maio de 2017     0

Apontamentos sobre o papel e a responsabilidade da família na formação da visão missionária da criança

Vivemos dias em que missões, muitas das vezes, é compreendida como um departamento da igreja, que esporadicamente acaba se tornando tema de culto ou de festas específicas. Parte dos cristãos desta geração não compreendem o chamado missionário universal e as crianças têm crescido num ambiente altamente materialista e secularizado, no qual o ser humano é valorizado somente pelo que possui. No livro de Provérbios Salomão orienta a ensinar a criança no caminho em que ela deve andar, para que dele não se desvie, mas permaneça (Pv 22.6). Ensinar missões para crianças é tão emergente quanto ensinar a ler e escrever, pois se trata da nossa essência, e esse ensino não deve se resumir em falar de um departamento, nem mesmo expor o missionário de campo como um super-herói, mas é introduzir os conceitos missiológicos bíblicos, visando a compreensão e a permanência dos princípios no coração dos pequenos.

As famílias, por sua vez, têm cometido um erro crucial: terceirizar a educação dos filhos, onde o papel de educar passa a ser da escola e até mesmo da televisão! 

De acordo com o Dicionário permanecer é “continuar sendo; prosseguir existindo; conservar-se, ficar.” Não se trata do futuro, é o hoje, é agora, para permanecer é preciso uma formação de mentalidade, é começar a aprofundar as raízes desde então para que a “árvore” consiga se sustentar. As crianças são reflexo de muitas atitudes de seus pais, crianças veem e crianças fazem. Com três anos a menina quer usar sapatos de salto como os da mamãe e o menino quer fazer barba como o papai. Não adianta depositar sobre o outro uma função que somente pai e mãe devem cumprir diante do Senhor.

Enquanto cristãos é preciso ensinar constantemente acerca de missões para os filhos e também incentivá-los a se envolverem com missões, pois as crianças também podem e devem ser missionárias. O que elas fazem e vivenciam hoje é o que vai permanecer.

São simples atitudes que fazem da criança um missionário: se importar com o colega, respeitar o próximo, falar de Jesus para seus amigos, separar uma oferta para ajudar missionários no campo, orar e interceder e até mesmo compreender que existem crianças no campo com suas famílias que têm as mesmas necessidades que elas, que gostam de brincar, de correr, de comer doces e que precisam estudar. Neste processo é fundamental que os pais inspirem suas crianças a também fazerem parte da Grande Comissão.

Entender que a Bíblia conta a história de Deus em busca do homem perdido e levar a criança ao conhecimento dessa trajetória ao longo dos tempos sabendo que Ele conta com a gente nesta jornada é um privilégio que permeia, antes de tudo, o seio familiar.

Encorajo cada pai e mãe que não compreende a Bíblia como um livro missiológico a buscar mais conhecimento acerca da Missio Dei e deste Deus que está em missão, esse Deus que deve ser glorificado entre cada povo.

 

Autor: Letícia Vidal Mota

Pedagoga, professora alfabetizadora, teóloga, coordenadora no Lagoinha Kids e voluntária na área de Mobilização Missionária pelo Perspectivas Brasil