O FUTURO DE MISSÕES É DE TODOS PARA TODOS OS LUGARES

29 de janeiro de 2018    

Conferência de Edimburgo, 1910

Por Allen Yeh

A Conferência Missionária Mundial de Edimburgo em 1910 é o congresso missionário mais famoso da história. O que lhe conferiu tamanha importância está latente na alcunha pela qual é conhecida: o local onde nasceu o movimento ecumênico moderno. Não deixa de ser irônico que ao evento tenha faltado ecumenismo: não houve diversidade denominacional (os participantes eram, principalmente, protestantes com alguns anglo-católicos pelo meio), teve poucas mulheres, faltou diversidade étnica (na sua maioria eram ocidentais e anglo‑americanos) e geográfica (nenhum participante africano negro, apenas 17 asiáticos e nenhum latino-americano).

O evento, contudo, originou um comité que, por sua vez, esteve na génese do International Missionary Council (Conselho Missionário Internacional), do World Council of Churches(Conselho Mundial de Igrejas) e do Movimento de Lausanne. A fama da conferência deveu-se, sobretudo, aos seus efeitos e não ao evento em si.

MISSÕES NO SÉCULO XXI

Passados 100 anos, como é fazer missões no século XXI? Pelo menos cinco conferências missionárias — uma em cada continente — disputaram o título de sucessora de Edimburgo 1910. Apesar de terem sido organizadas muitas mais conferências no ano do centenário, destacam-se estas cinco em particular: Tóquio 2010, Edimburgo 2010, Cidade do Cabo 2010, Boston 2010 e CLADE V.[1] Todas representam o ponto em que se encontra a missão cristã hoje, em termos de pensamento e práxis:

Tóquio 2010

Organizada pelo falecido Ralph Winter e pelo US Center for World Mission (Centro Norte-americano para Missões Mundiais). Teve lugar em Tóquio, um contraste com Edimburgo 1910: uma conferência não no coração do cristianismo, mas num dos lugares menos cristãos do planeta, o Japão. O evento foi, em si, um farol que serviu de testemunho numa terra espiritualmente infértil. Tal como Ralph Winter sempre foi alguém que ultrapassou as fronteiras do evangelismo, Tóquio 2010 foi representativo disso mesmo.

A conferência foi completamente evangélica, focando um evangelismo no limite para chegar aos povos não alcançados. Tal como John R. Mott exerceu uma influência fortíssima em Edimburgo 1910, o espírito de Ralph Winter permeou Tóquio 2010, mesmo com a organização a pertencer às igrejas japonesas, que foram financiadas e apoiadas, em grande parte, pelas igrejas coreanas. Participaram cerca de 1200 pessoas.

Edimburgo 2010

A mais reduzida das cinco conferências, com menos de 300 participantes, foi também uma das mais profundamente ecuménicas. Contou com representantes dos cinco maiores grupos (segundo a organização) de cristãos no mundo: católicos, ortodoxos, protestantes, evangélicos e pentecostais. Esta histórica comemoração foi um dos principais destaques da conferência, que decorreu no mesmo edifício que a congénere de 1910. Daqui nasceu uma série de publicações denominada Edinburgh Centenary Series (Série do Centenário de Edimburgo), publicada pela Regnum (o selo do Centro de Estudos Missionários de Oxford), que abrange um vasto leque de tópicos missiológicos e já atingiu os 36 volumes. Tal como com Edimburgo 1910, os acontecimentos posteriores à conferência tiveram um impacto muito maior do que o evento em si.

Cidade do Cabo 2010

Esta foi, de longe, a maior de todas as conferências em 2010: mais de 4500 participantes de quase 200 países. A revista Christianity Today chamou-lhe «o encontro com mais diversidade de sempre»[2][3] Tecnicamente, não se tratou apenas de uma conferência, dado ter sido o terceiro Congresso de Lausanne. Porém, é necessário ir além de Edimburgo 1910para encontrar a inspiração original deste congresso. A conferência de Edimburgo decorreu em 1910 porque William Carey, o pai das missões modernas, sugerira uma conferência missionária ecuménica em 1810, a realizar na Cidade do Cabo, e que foi considerada demasiado avançada para o seu tempo.

Edimburgo foi a realização do sonho de Carey 100 anos mais tarde, só que no Norte Global. Lausanne decidiu tornar o mesmo sonho realidade 200 anos depois, mas no local exato desejado por Carey. Dado que a África subsariana é hoje o coração do cristianismo, a realização do evento neste continente foi de um grande simbolismo.[4]

Embora os participantes fossem todos evangélicos, estiveram presentes observadores católicos e ortodoxos. Os organizadores procuraram ser inclusivos e abranger todas as questões missiológicas. O fruto mais famoso do primeiro Congresso de Lausanne, em 1974, foi o Pacto de Lausanne, um documento que se tornou o credo evangélico para o século XXI. Todos os Congressos de Lausanne que se seguiram tentaram replicar esse sucesso com uma declaração.[5]

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NOTAS 

  1. Ralph D. Winter, ‘Edinburgh 1910 in the Year 2010’, Mission Frontiers, January–February 2009, www.missionfrontiers.org/issue/article/edinburgh-1910-in-the-year-2010
  2. John W. Kennedy, ‘The Most Diverse Gathering Ever’, Christianity Today, September 29, 2010. 
  3. Nota do editor:  Consulte o artigo de Doug Birdsall intitulado «A Personal Reflection on Cape Town 2010: the impact of Cape Town 2010» (Uma reflexão pessoal sobre o Congresso da Cidade do Cabo 2010 e qual o seu impacto), publicado na edição de novembro de 2015 da Análise Global de Lausanne https://www.lausanne.org/content/lga/2015-11/a-personal-reflection
  4. Nota do editor: Consulte o artigo de Rudolf Kabutz intitulado «Engaging the Church in Africa in Its Key Mission Issues to 2050: the impact of Cape Town 2010» (Envolvendo a igreja africana nas principais questões missionárias até 2050: o impacto de Cidade do Cabo 2010), publicado na edição de novembro de 2011 da Análise Global de Lausanne https://www.lausanne.org/content/lga/2015-11/engaging-the-church-in-africa-in-its-key-mission-issues-to-2050
  5. Nota do editor:  Consulte o Manifesto de Manila https://www.lausanne.org/content/manifesto/the-manila-manifesto (disponível em inglês) e o Compromisso da Cidade do Cabo https://www.lausanne.org/pt-br/recursos-multimidia-pt-br/compromisso-da-cidade-do-cabo-pt-br/compromisso

Autor: Movimento de Lausanne

Movimento de evangelização. Toda a Igreja levando todo o Evangelho para o mundo todo.