A MISSÃO POLÍTICA DA IGREJA MISSIONAL

11 de setembro de 2017     0

Vivemos um momento politicamente conturbado no Brasil. As instituições políticas brasileiras (do Executivo, Legislativo e Judiciário) passam por uma grave crise de confiabilidade frente aos diversos desafios socioeconômicos   e político-institucionais atuais. Tímidas melhorias nos indicadores econômicos, tais como o crescimento da produção industrial, a redução da inflação e o baixo crescimento econômico esperado, somam-se a sucessivos escândalos de corrupção envolvendo lideranças políticas e autoridades públicas conhecidas nacionalmente. Ao mesmo tempo que o mercado dá sinais de recuperação – embora a passos lentos, a incerteza quanto à capacidade de resposta do Poder Público aumenta.

Diante desse cenário, a população brasileira tem se sentido impotente e descrente em relação às reais mudanças a serem promovidas e melhorias a serem alcançadas para o reerguimento político e socioeconômico do país. Haveria, então, esperança para a superação da grave crise atual? Se sim, onde estaria?

É usual associar a “política” única e exclusivamente ao exercício de mandato político por um representante eleito, denominado “político” ou “ator político”. No entanto, o real sentido de “política” não se restringe à tal tarefa e à esfera politico-institucional. Em seu sentido lato, política se refere à qualquer relação de poder, de influência de um indivíduo sobre o outro. Há ação política quando se afeta a opinião, a atitude, a decisão de outrem. Todo ser humano é naturalmente um ator político. Foi o próprio Deus que nos criou assim. Como se lê em Gênesis 1:28, Deus deu autoridade e comissionou o homem para governar a terra, para exercer poder sobre toda a criação, o que inclui o próprio ser humano. Como atores políticos, agimos politicamente o tempo todo e em todo lugar, seja em casa, seja no ambiente de trabalho, seja no campo missionário!


Na esfera pública, nossa atuação política compreende o exercício de uma dupla cidadania. Somos e temos deveres tanto enquanto cidadãos brasileiros, como enquanto cidadãos do Reino de Deus, embaixadores da parte de Cristo em nossa Nação (II Coríntios 5:20).


Enquanto cidadãos brasileiros, temos o dever de nos envolver e participar nos espaços e canais de participação política que são públicos – tais como conselhos, audiências públicas, conferências de políticas públicas – e privados – sindicatos, associações civis, dentre outros – disponíveis. Nessas arenas participativas, é nosso dever representar o Reino de Deus, enquanto embaixadores de Cristo em nosso país.

Esta consiste na missão política de uma Igreja Missional. Ao compreendermos que ser missional significa levar Cristo até as pessoas na vida cotidiana em sociedade, percebemos a imprescindibilidade de nosso envolvimento em espaços participativos, de discussão e de tomada de decisão coletiva. Enquanto Igreja Missional, somos chamados a atuar politicamente: a missão ocorre por meio de relação interpessoal, a missão requer exercício de influência, a missão implica e só se completa quando há mudança de mente, de atitude, de contextos.

Se há esperança para o Brasil? Sim, há! A esperança somos nós, Igreja Missional, portadora da Palavra de vida, de paz e de justiça que transformará nossa Nação! Em casa, na escola ou universidade, no trabalho, no campo missionário, em todo lugar, temos uma missão política: ocupar espaços, exercer influência, transformar ideias e comportamentos a partir dos princípios e valores do Reino de Deus!

Autor: Viviane Petinelli

Graduada em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2007), e doutorado em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais e Universidade Harvard (2014). É pós-doutoranda em Ciência Política e atua enquanto pesquisadora e docente na Universidade Federal de Minas Gerais. É especialista em Políticas Públicas e Participação Social. Membro da Igreja Batista da Lagoinha, MG.