UMA IGREJA SEM PAREDES

21 de novembro de 2017     0

Os acontecimentos dos últimos meses movimentaram a Igreja Evangélica Brasileira. Exposições de arte com conteúdo pornográfico e abusivo, peças teatrais agressivas à fé cristã e comerciais e programas de televisão com mensagens perniciosas à família natural provocaram grande insatisfação no povo de Deus e, de forma inesperada e admirável, produziram uma série de reações em massa, voltadas para combater tais práticas. Manifestações públicas com várias centenas de pessoas, petições online, ações judiciais, boicotes nacionais e orações em locais públicos foram promovidos pelo Brasil e mostraram a força que a igreja tem quando se levanta, se posiciona e guerreia em defesa e em nome do único Senhor e Salvador, Jesus.

Uma igreja sem paredes emergiu e resplandeceu! A ekklesia, termo grego usado por Jesus para se referir à “igreja” (Mt. 16: 15-17), assumiu seu papel político: influenciar a sociedade na qual ela está inserida. Ekklesia significa “chamados para fora” (ek significa “para fora” e klesia, “chamados”). Na época de Jesus, essa interpretação de igreja trouxe implicações tanto para seu chamado eclesial como para seu chamado cultural.


No exercício de seu mandato cultural, os cristãos atuavam social e politicamente em sua comunidade com vistas a influenciar as diversas esferas da vida.


No exercício de sua missão eclesial, a ekklesia realizava reuniões de oração e de ensino da Palavra em locais públicos e, dessa forma, cumpria o “ide fazer discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo e ensinando-os a guardar todas as coisas que Jesus havia mandado” (Mt 28:19,20).

No exercício de seu mandato cultural, os cristãos atuavam social e politicamente em sua comunidade com vistas a influenciar as diversas esferas da vida. Uma das formas era pela participação na ekklesia, uma espécie de instituição legislativa, composta por cidadãos – homens livres com propriedades, que se reunia em locais públicos e abertos para tomar decisões sobre a cidade (a polis). A ekklesia era o mais importante espaço e instrumento de participação política da época. Curiosamente, as reuniões aconteciam “fora dos portãos das cidades”, como alusão ao próprio nome.

O chamado de Deus para sua igreja não mudou. Enquanto discípulos de Jesus, temos a missão de multiplicar o Evangelho, fazendo discípulos por todo o mundo. Ademais, enquanto temporariamente cidadãos terrenos, somos chamados para influenciar a sociedade na qual vivemos, para defender os princípios e as leis de Deus em nossa nação. Somos ekklesia, somos chamados para fora.

Lembremo-nos, contudo, que cumprir essas missões implica lutar, implica guerrear. Ao edificar sua ekklesia (Mt 16:18), Jesus apontou para a realidade da batalha: Ele afirmou que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela. Se a ekklesia avançasse pelas portas; se ela lutasse e adentrasse os espaços ocupados pelo maligno, ela venceria, pois essa era a promessa de Deus para sua igreja.

Embora o mundo esteja sob a influência do maligno (I Jo 5:19) e, portanto, as diversas áreas estejam, por ele, ocupadas, quando não, completamente dominadas, à igreja de Cristo foi dada a autoridade e a missão de retomá-las e estabelecer o Reino de Deus nessa terra. À igreja já foi liberada a palavra de vitória para vencer a batalha entre a verdade e a mentira, o bem e o mal, a violência e a paz, a justiça e a corrupção, a vida e a morte. Cabe a nós, ekklesia, guerrear por meio da oração e da ação. Não podemos nos calar nem nos acovardar diante dos ataques a nossa fé e as nossas missões. O maligno tentará de todas as formas nos paralisar e abater, mas ele não prevalecerá contra nós. Uma vez na batalha, a igreja de Cristo sem paredes sempre vencerá em nome e para a glória de Jesus.

 

Autor: Viviane Petinelli

Graduada em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2007), e doutorado em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais e Universidade Harvard (2014). É pós-doutoranda em Ciência Política e atua enquanto pesquisadora e docente na Universidade Federal de Minas Gerais. É especialista em Políticas Públicas e Participação Social. Membro da Igreja Batista da Lagoinha, MG.