E eu com isso?

5 de julho de 2017    

Hoje são produzidos cerca de 10% mais alimentos do que o necessário para alimentar a população mundial. No entanto, morre de fome uma criança a cada três segundos. Isso significa que morrem 28,8 mil crianças por dia. De acordo com órgãos de pesquisa, 1,8 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável no planeta. A economia está organizada de forma que haja 70 mil mortos por dia. Isso prova que o pobre não é considerado de forma digna.

Para definir justiça e direitos humanos, é necessário estabelecer conceitos claros sobre a pessoa, sua natureza e a dignidade. Essa é a proposta de Jacques Maritain, quando afirma: “As concepções do mundo e da vida de tipo materialista, as filosofias que não reconhecem o elemento espiritual e o elemento eterno no homem são incapazes de evitar o erro na construção de uma sociedade verdadeiramente humana, porque são incapazes de dar direito às pessoas e, por isso mesmo, de compreender a natureza da sociedade”.


Morre de fome uma criança a cada três segundos. Isso significa que morrem 28,8 mil crianças por dia.


 

DESIGUALDADE SOCIAL

Pode-se dizer que este século está matando mais do que as duas guerras mundiais juntas. Nota-se que não houve guerra com tal crueldade como esta, mesmo quando se pensa no Holocausto. A disparidade social e econômica entre ricos e pobres é maior a cada ano. Para afirmar essas dificuldades relatadas, Enrique Dussel nos diz: “Aos 500 anos do começo da Europa Moderna, lemos no Relatório sobre o Desenvolvimento Humano de 1992 (UNDP, 1992:35) que os 20% mais ricos da humanidade (principalmente na Europa Ocidental, nos Estados Unidos e no Japão) consomem 82% dos bens da Terra. Enquanto isso, os 60% mais pobres (a “periferia” histórica do “Sistema Mundial”) consomem 5,8% desses bens. Jamais foi observada uma concentração como essa na história! E a injustiça estrutural aqui relatada nunca foi imaginada em escala mundial”.


Nota-se que a desigualdade não é natural, nem mesmo moralmente neutra, senão histórica e carregada de culpa e de responsabilidade.


As pesquisas demonstram a crescente desigualdade mundial. Os dados são incontestáveis. Desde a década de 80, o abismo da desigualdade entre os pobres e ricos cresce sem parar. Tal desigualdade nos leva necessariamente ao pensamento nessa cena como fruto da injustiça. Nota-se que a desigualdade não é natural, nem mesmo moralmente neutra, senão histórica e carregada de culpa e de responsabilidade. Como declara Reyes Mate: “As injustiças não são fruto do ciclo natural, não são produto do azar, senão causadas e/ou herdadas pelo homem, ou seja, o pobre não pode ser culpado da sua pobreza”. 4

A CRISE

A cristandade está sofrendo uma séria crise que percorre as modalidades da Igreja e está revelada em todas elas. As inquietações e as incertezas nos quais está mergulhada profundamente a vida de pessoas que se dizem cristãs é preocupante. Cada vez mais indivíduos se apresentam de forma pessimista. De alguma maneira, essa postura contaminou a própria fé que declaram ter.


O significado de muitos aspectos importantes da cristandade tem sido colocado em xeque


O significado de muitos aspectos importantes da cristandade tem sido colocado em xeque – o ensinamento moral da Igreja, a natureza absoluta de seus pronunciamentos dogmáticos, sua prática sacramental, a presença real de Cristo na ceia ou na eucaristia católica, a Bíblia como palavra de Deus, a Igreja como uma instituição séria, a historicidade de Cristo e agora, finalmente, a existência de Deus.

Pode haver futuro para um mundo assim? Podem os cristãos, que se dizem representantes de Cristo na Terra, ficarem indiferentes a esses fatos, aceitando com frieza uma sociedade organizada para produzir morte e sofrimento? São questões que ecoam pelas ruas e pelos templos das cidades cada vez mais cinzentas. Não há respostas prontas, mas um caminho a ser trilhado e uma porta pela qual devemos passar: Cristo.

Autor: Paulo Capellete