O QUE RESTOU DE MOSSUL

28 de agosto de 2017     0

 

(Foto de Felipe Dana/AP Photo)

O conflito brutal para libertar Mossul, no norte do Iraque, do grupo extremista conhecido como Estado Islâmico, deixou milhares de mortos e a cidade em ruínas, com sobreviventes sem ter onde morar ou morando em destroços. Quanta devastação foi causada pela batalha entre as forças iraquianas – apoiadas por ataques aéreos liderados pelos Estados Unidos – e o grupo rebelde, e o que vai acontecer daqui para frente?

Ao fim de nove meses de batalha por Mossul, sua população se viu encarando uma crise humanitária em escala catastrófica.

As estimativas do número de mortos variam muito, de milhares para dezenas de milhares. Mais de um milhão de pessoas – o equivalente à população de Dublin, na Irlanda – deixaram suas casas desde que a ofensiva começou, em outubro do ano passado.

Bairros inteiros foram destruídos, corpos permanecem debaixo de ruínas e as ruas estão repletas de munições não detonadas e minas terrestres. Veja abaixo, algumas fotos e gráficos mapeando a devastação de grandes partes da cidade.

Análise de imagens de satélite mostra milhares de construções e mais de 100 km de avenidas severamente danificados ou destruídos.

Grande parte da segunda maior cidade do Iraque, controlada pelo Estado Islâmico desde junho de 2014, foi reduzida a ruínas.

A tomada de Mossul é vista agora como a maior batalha urbana vista desde a Segunda Guerra Mundial.

Todas as partes da cidade experimentaram algum tipo de dano, segundo a avaliação mais recente das Nações Unidas. A parte oeste, reconquistada em julho, sofreu mais do que a parte leste — tirada do Estado Islâmico seis meses mais cedo.

Mais da metade dos 54 distritos residenciais da parte oeste de Mossul foi afetada de forma significativa.

A ONU aponta 15 deles como “gravemente danificados”, o que significa que a maior parte das construções está inabitável.

Outros 23 distritos estão “moderadamente danificados”, o que significa que metade das edificações foi destruída ou está estruturalmente inadequada. Outros 16 distritos estão “levemente danificados”.

Enquanto uma análise da ONU com imagens de satélite sugere que cerca de 10 mil construções foram severamente danificadas ou completamente destruídas, acredita-se que o real nível de destruição seja maior.

Levando em conta os danos a vários andares dos prédios, o que não é visto por satélite, a ONU estima agora que o número real de construções prejudicadas é três vezes maior: 32 mil.

Lise Grande, coordenadora humanitária da ONU no Iraque, diz que serão necessários anos para que estas áreas voltem ao normal.

Reconstruir a cidade e fazer com que civis retornem às suas casas será “extremamente desafiador”, alerta, estimando um custo de aproximado de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 3,1 bilhões).

Gráfico

1. Antes da ofensiva

135 edificações danificadas (50% públicas, 21% residenciais).

Antes da ofensiva das forças iraquianas, muitos prédios públicos estavam danificados – incluindo o acampamento militar al-Ghazlani, o aeroporto de Mossul e a universidade da cidade.

2. Primeiros cinco meses da ofensiva

1.240 edificações danificadas (47% residenciais).

Alvos estratégicos, como avenidas e fábricas, foram atingidos na primeira fase da batalha. Todas as cinco pontes cruzando o Rio Tigre foram atingidas. Pouco menos da metade das construções atingidas era de residências.

3. Oito meses depois

4.356 edificações danificadas (70% residenciais).

Nos três meses entre março e junho deste ano, o número de edificações danificadas cresceu quase quatro vezes – de 1.240 a 4.356. Sete de dez destas construções eram residenciais.

4. Quase nove meses depois

9.519 edificações danificadas (85% residenciais).

Nas últimas semanas do conflito, mais de 5 mil locais foram destruídos. Cerca de 98% destes eram prédios residenciais — majoritariamente na Cidade Antiga. A icônica Grande Mesquita de al-Nuri também foi destruída.

A análise inicial feita pela ONU das imagens de satélite sugere que residências foram o tipo de construção mais danificado, com ao menos 8.500 edificações residenciais severamente danificadas ou completamente destruídas, a maior parte delas na Cidade Antiga. Os números certamente irão aumentar quando a avaliação de danos for conduzida em solo.

Aproximadamente 130 km de avenidas também foram danificados – dos quais 100 km ficam no oeste da cidade.

Ataques aéreos da coalização também destruíram todas as pontes que ligavam as partes leste e oeste da cidade sobre o Rio Tigre – com o objetivo de limitar a possibilidade dos jihadistas se abastecerem e fortalecerem suas posições no leste.

O aeroporto da cidade, a estação de trem e hospitais também estão em ruínas.

Funcionários iraquianos estimam que aproximadamente 80% do principal complexo médico de Mossul foi destruído. O local era o maior centro de atenção à saúde na província de Nineveh, abrigando vários hospitais, uma escola de medicina e laboratórios.

Tipos de edificações destruídas

Números baseados em análise da ONU com imagens de satélite.

Gráfico

Nas últimas semanas da batalha para libertar a cidade do Estado Islâmico (EI), a Cidade Antiga em particular foi atingida seriamente.

As forças do EI foram forçadas a recuar em direção à área, densa em construções, após serem encurraladas por forças ligadas do governo iraquiano.

À medida que a batalha se intensificou, muitos dos moradores da área ficaram isolados dentro de suas casas. Quando eles finalmente puderam sair, muitos estavam desnutridos, doentes e traumatizados.

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Autor: BBC Brasil

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