INSTRUMENTO CIENTÍFICO A SERVIÇO DA MISSÃO

7 de fevereiro de 2018    

Para os evangélicos a palavra “pesquisa” não é algo muito familiar. Quando pensamos no termo, a primeira ideia que vem na mente são dados e mais dados, que muitas vezes não fazem sentido. Ao vermos os números de uma pesquisa, pensamos em algo sem vida, sem dinâmica, metódico. Na verdade, os dados de uma pesquisa mostram a realidade de outra forma além qual estamos acostumados.

Essa linguagem, à priori, parece mesmo chata e sem nexo, mas à medida que vamos nos acostumando com ela, a “cor” volta e passamos e entender a importância dessa linguagem para o nosso ministério local.

Comecei a trabalhar com a Sepal na qualidade de voluntário no ano de 2000, quando Rubens Muzio e Oswaldo Prado me convidaram a fazer parte de um grupo que estava nascendo com a visão de plantar igrejas na nação brasileira. A partir desse convite, surgiram vários treinamentos ministrados pelo Dr. Jun Vencer no decorrer dos anos.

Em 2004, iniciamos o protótipo da apostila “Discipulando a nação”, que serviu para muitos treinamentos de plantação de igrejas nos anos que se seguiram. Mais tarde essa apostila viraria o livro “O DNA da Igreja” da autoria de Rubens Muzio, que tem sido o principal material dos treinamentos hoje em dia.

Depois que o setor de pesquisas da SEPAL ficou “órfão” em 2005, Rubens e Oswaldo me convidaram a fazer algumas pesquisas para o projeto Brasil 21, especialmente pesquisas sociológicas das cidades onde os treinamentos seriam feitos.

Fui aprender uma nova “língua” com o Dr. Omar Neto Barros, professor de Geografia da Universidade Estadual de Londrina e responsável pelos primeiros mapeamentos do projeto. Omar ensinou o caminho das pedras e os mapeamentos começaram a ser feitos de acordo com a necessidade dos treinamentos.

Confesso, que no início do meu trabalho junto ao Projeto Brasil 21 da SEPAL, trabalhar com pesquisas não foi minha primeira opção. Na verdade, foi a última. Eu tinha as idéias do primeiro parágrafo muito bem resolvidas em minha mente. Como não entendia muita coisa, achava melhor concentrar minhas forças em outro lugar no Projeto. Contudo, os caminhos de Deus são bem maiores que os nossos.

A Pesquisa é uma das áreas mais importantes e prezadas dentro da SEPAL. É um tema importante por diversos aspectos, entre eles: aumenta a credibilidade diante das organizações e mantenedores, ajuda a tomar decisões sábias, encoraja aplicação sábia de recursos, leva a programar estratégias focalizadas, providencia informações necessárias para a motivação, treinamento e mobilização para alcançar todo o país.

A pesquisa é um instrumento científico à disposição da Igreja de Cristo, e como instrumento trabalha com outras disciplinas. A pesquisa é um assunto da vida diária é algo que praticamos todos os dias de nossa vida, quando buscamos um preço melhor para um produto ou uma passagens aéreas.

Em termos técnicos a pesquisa nutre-se de elementos como a Epistemologia (a ciência do conhecimento) e sociologia. Utiliza-se de metodologias, formas e técnicas na busca desse conhecimento. De maneira muito simples podemos defini-la como: “A ciência que investiga a realidade”. Esta é a aproximação que nos permite chegar a ter a ciência, como realidade aceita e experimentada.


Em nosso caso como missionários a ciência é um de nossos melhores aliados, pois nos fornece ferramentas e metodologias apropriadas para aproximar-nos do ser humano e seu contexto, do mundo e seus sistemas e do objetivo da missão. A pesquisa serve, portanto, para conhecer melhor sua realidade e responder a ela com as propostas que se acham ancoradas no Evangelho partindo de realidades e necessidades concretas.


A pesquisa é um processo que interliga diferentes níveis de abstração, princípios metodológicos e são levados a cabo diversos processos logicamente articulados, apoiados em teorias, métodos, técnicas e instrumentos apropriados com o propósito de alcançar um objetivo e conhecimento real de certos fenômenos. É científica se são aplicadas metodologias e técnicas científicas para situações e problemas concretos para buscar resposta para eles e obter novos conhecimentos.

Para o desenvolvimento da nossa missão e para poder medir o cumprimento da mesma como nos tem sido exigido (Mateus 28:18-20, Marcos 16:15, Atos 1:8, Colossenses 1:25-29), usamos ferramentas científicas convenientes, utilizadas na formação da história da Igreja. E hoje, temos através de uma observação rigorosa o tamanho de nossa tarefa, sabendo com exatidão quantos setores do mundo são menos alcançados.

Bob Waymire, no seu prefácio para o livro de Roy Wingerd Jr., na sua opinião sobre a pesquisa como ferramenta para as missões, estabelece posições muito apropriadas que não fogem da proposta que apresentamos neste tratado sobre a pesquisa como instrumento científico a serviço da missão da Igreja. Ele diz: “Necessitamos ser iluminados! Para ser bons mordomos da graça de Deus, devemos ter os fatos – para ver o quadro verdadeiro. As verdades de ontem são frequentemente ficções de hoje. Nós necessitamos da informação correta e modernizada sobre nós mesmos, os ceifeiros de nosso contexto (O campo de colheita)”.(Wingerd Jr, R. 1992)

Wingerd Jr, Dawn Research Handbook. Principles and Process of Research for A Dawn Project. Dawn Ministries, 1992. $11.09 (available through Dawn Ministries with advance notice to allow photocopying 719-548-7460)

Autor: Luis Bruneto

Pesquisador e missionário da Sepal. Tem servido junto à AMTB e outras agências missionárias. Casado, pai de dois filhos, atualmente vive com a família em Oxford, Inglaterra.