Bivocacionalidade

17 de julho de 2017     0

Ao desembarcar em Beira, Moçambique, não esperava me surpreender muito. Essa era minha quinta visita ao continente africano. Entretanto, e ainda bem, temos um Deus que gosta de nos surpreender. Quando fui convidado para essa viagem cerca de oito meses antes, não esperava que ela fosse ter um impacto tão grande em minha vida profissional, emocional e espiritual. Seria apenas uma viagem de dez dias para conhecer a realidade de saúde local com um casal de médicos argentinos que lá residem. É maravilhoso como o nosso Senhor conhece exatamente as necessidades pessoais e coletivas de uma nação importa-se com ambas e as entrelaça num perfeito mosaico sobrenatural.

Foram dez dias de trabalho, descoberta, alegria, choro e vidas transformadas. Quando nos colocamos a serviço do Reino de Deus, nunca mais somos os mesmos.


Como profissionais da área da saúde, nós lidamos cotidianamente com a morte e situações extremas. Por isso, achamos que nada pode nos surpreender. Entretanto, nada pode nos preparar para o impacto da miséria da humanidade longe de Deus.


Como profissionais da área da saúde, nós lidamos cotidianamente com a morte e situações extremas. Por isso, achamos que nada pode nos surpreender. Entretanto, nada pode nos preparar para o impacto da miséria da humanidade longe de Deus. Ao longo desses anos conhecendo a África, estou cada vez mais convencido de que o plano de Deus para esse continente é menos assistencialista e mais relacionado com a construção de fundamentos, fé e vida cristã, bem como a saúde e o desenvolvimento pessoal.

Quanto mais atendia crianças, mães e famílias, mais me dava conta do desejo ardente de Deus pela salvação da humanidade. Talvez essa seja a parte mais marcante do trabalho missionário: experimentar um pouco do que há no coração do Altíssimo a respeito dos indivíduos que vivem e morrem sem conhecer Cristo de forma real e pessoal.

Isso me fez admirar o trabalho de pessoas como os Drs. Roberto e Laura, que se mudaram para a cidade de Dondo, na província de Sofala, sob a direção de Deus para implantar um projeto de formação de agentes de saúde cristãos entre os locais. Esse trabalho enfrenta grandes desafios, mas é fruto da vontade do Senhor. Foi um privilégio conhecer esse precioso casal e “seus meninos”.

Visão Profissional

Como profissional, é importante ressaltar que uma viagem dessa natureza é uma oportunidade ímpar de ver, em primeira mão, patologias que não existem no Brasil há 20 ou 30 anos. Por mais que seja um período limitado, com uma resolubilidade pequena, é possível notar que podemos fazer uma grande e real diferença na vida daqueles pequenos. Como a história do menino e de milhares de estrelas-do-mar na praia, ele pode não ter salvado todas, mas fez diferença na existência daquelas que devolveu ao mar.

Também foi uma oportunidade, como professor universitário, de conhecer a Faculdade Católica de Medicina e Enfermagem de Beira. Fazer novos contatos, estreitar laços e abrir portas para a entrada do Evangelho e para a formação de profissionais de saúde cristãos em Moçambique. São pessoas que, com discipulado e investimento, podem se tornar mensageiros das Boas Novas entre o seu povo.

Eu gosto de dizer aos meus estudantes que a vida é uma soma de experiências, e a maneira como você se porta em cada uma delas e quais valores você exterioriza é que definem o seu legado. Independentemente do tempo despendido, fazer o que Deus chamou você para fazer é a única realização que realmente importa enquanto respiramos. E eu posso me considerar realizado nesse tempo, pois tenho certeza de que fui transformado e usado para transformar vidas.


Muitas vezes nós, cristãos brasileiros, achamos que missionário é aquele coitado para quem é enviada uma “esmola” mensalmente. Entretanto, a verdade sobre missões é oposta a isso. Missionários também somos nós médicos, enfermeiros, dentistas, advogados, carpinteiros, jovem, velho, rico e pobre.


Quem é o missionário?

Muitas vezes nós, cristãos brasileiros, achamos que missionário é aquele coitado para quem é enviada uma “esmola” mensalmente. Entretanto, a verdade sobre missões é oposta a isso. Missionários também somos nós médicos, enfermeiros, dentistas, advogados, carpinteiros, jovem, velho, rico e pobre. Somos “Abraãos” que escolhem ouvir a voz de Deus e segui-la. Alguns de nós vão passar anos; outros, dias no campo missionário, mas o importante é que todos cumpramos o que disse Jesus em Mateus 28:19: “Ide por todo mundo e fazei discípulos…”

Meu conselho, pedido e apelo é para que você, profissional de saúde, engenheiro, empresário, estudante, cristão, busque a vontade de Deus e a siga. Basta ouvir a voz do Mestre, e sua vida será transformada para a eternidade e durante essa jornada incrível, que é a vida com o Senhor.

Autor: Tiago Simões Leite