Permeabilidade Social

23 de maio de 2017     0

A operacionalização da missão em locais estratégicos

Quando falamos sobre missionários, muita gente pensa automaticamente em quem largou tudo para viver numa tribo de índios ou numa montanha do Nepal, por exemplo. O nosso subconsciente admira essas pessoas. Elas são realmente de se admirar. O problema é que a atitude delas está ligada ao mundo tão ideal que nos leva a pensar que nós não somos capazes de chegar lá. E já que não conseguimos fazer igual, vamos vivendo a nossa vida de crentes dentro de quatro paredes, porque o impossível, ah, ele é muito impossível.

Esse pensamento é fundamentalmente equivocado por muitas razões. Ele se baseia numa ideia preconcebida de que só as tribos indígenas e os pobres da Ásia e África precisam de Jesus. O conceito de ajuda socioeconômica de missões está impregnado em nosso inconsciente coletivo que nos esquecemos dos mais ricos dentre os ricos. Eles estão entre os grupos menos evangelizados do mundo. Lamento, mas muitos, nem de longe, serão alcançados por métodos comumente utilizados para alcançar outros estratos sociais.

Na Alemanha, por exemplo, 61% da população se intitula cristã. Desses, apenas 1% frequenta alguma igreja (é isso mesmo, você não leu errado). A situação nos leva a crer que, dentre os poucos que vão à igreja, talvez menos da metade sejam nascidos de novo.

Nesse contexto, um missionário tradicional está fadado ao fracasso. Porém, os profissionais em missão encontram portas abertas em diferentes lugares. São notados com maior grau de identificação pessoal e convidados para eventos e encontros informais, pois eles realmente fazem parte da sociedade. São admirados, ouvidos e conseguem atingir um alto nível de permeabilidade social, o que faz deles uma influência.

Há muitos conceitos e métodos, mas como transformar tudo isso em aplicações práticas? Obviamente o primeiro passo é orar. Em seguida, definir um campo missionário onde deseja atuar (continente, país, cidade). Outra providência é definir as alternativas profissionais e acadêmicas naquele campo – você pode ir para a Inglaterra estudar inglês ou para o Marrocos abrir uma loja de exportação de tecidos, por exemplo.

Conversar com os líderes da igreja sobre essas alternativas e apresentar um plano de mudança é essencial, primeiro, para se submeter à autoridade; segundo, para ouvir conselhos e orarem juntos.

O passo seguinte é prospectar líderes, missionários e igrejas localizadas no campo missionário a ser trabalhado (alvo), que tenham interesse em receber profissionais em missão. Se ainda não sabe exatamente por onde começar esse passo, é válido participar de cursos e treinamentos missionários para se envolver em projetos de missões em sua igreja local e, por último, traçar um cronograma de etapas para fazer a mudança de país.

Enquanto o missionário convencional faz um papel único e insubstituível nos campos mais instáveis e com dinâmica de atuação, o fazedor de tendas realiza um trabalho igualmente genuíno, único e insubstituível em sociedades onde impera a livre iniciativa.

Autor: Carol Schwab

Médica cardiologista, missionária bivocacionada da Igreja Batista Central de Belo Horizonte - MG