Vozes e megafones

6 de julho de 2017     0

O Reino de Deus é uma esfera de redenção baseada em um amor poderoso. Enquanto não for comunicado e vivido, esse amor não pode ser discernido pelos homens, pois não há “amor teórico” quando o assunto é o Deus que as Escrituras revelam. Amor de verdade vira gente, encarna, sente-se, vê-se e pode ser tocado (1 Jo 1:1-3).

Quando se fala em Missio Dei, geralmente pouco se aborda sobre “os meios” pelos quais propagamos o Evangelho, a natureza das ferramentas de “propaganda”, seu manuseio e suas potencialidades. Como chamados a comunicar uma mensagem que ecoa por toda a eternidade, é importante refletirmos mais sobre as ferramentas utilizadas. A Grande Comissão é uma chamada ao uso devido e intencional da Comunicação.


A Grande Comissão é uma chamada ao uso devido e intencional da Comunicação.


Comunicar é, conforme os dicionários, fazer saber, participar, repartir, tirar da ignorância. Lamentavelmente vemos muito mais o uso da mídia para a promoção de pequenos reinos particulares (ou denominacionais) do que trabalhando na transmissão do amor de Deus além das fronteiras, sem interesses pessoais, mas movido pelo amor de fato e de verdade, não apenas de palavras. Assim um dos mais relevantes trabalhos na Igreja é de despertamento e mobilização. Precisamos levantar e valorizar essa geração chamada a nos “despertar a atenção” sobre os desvios e descaminhos que, por ora, tomamos como povo de Deus.

 

Os mobilizadores usam diversas ferramentas, tanto as mais simples – como a fala e a prédica – quanto outras formas de comunicação – como mídia, marketing e propaganda. Vale lembrar que a Grande Comissão em si já é um ato comunicacional: ensinar, falar, pregar, propagar, proclamar, por exemplo, são verbos comunicacionais básicos. Se distribuir material evangelístico é algo “espiritual”, por que produzi-los não seria? Um dos desafios nesse contexto é sentir-se motivado pelos resultados especiais na missão, quando esses não são medidos em número de convertidos ou pessoas “curadas” sobrenaturalmente. A igreja que ignora o potencial do trabalho desses profetas da imagem, da informação e do despertamento corre o risco de perder a oportunidade de falar a toda uma geração.


Vale lembrar que a Grande Comissão em si já é um ato comunicacional: ensinar, falar, pregar, propagar, proclamar


Graças a Deus, apesar do pouco incentivo, tem muita gente boa servindo ao Cordeiro mundo afora, com visão e criatividade que impressionam! Um exemplo é o ministério Create International, na Tailândia. A instituição desenvolve um belo trabalho usando Etnoarte, animação 3D e cinema na produção de material de mobilização e evangelístico para etnias não alcançadas de toda a Ásia e do Norte da África. Lembremo-nos do trabalho histórico da Servindo aos Pastores e Líderes (Sepal) nas áreas de pesquisa e mobilização no Brasil, e os vários ministérios de radiotransmissão e dublagens da Bíblia para etnias da Amazônia Brasileira, como a Summer Institute of Linguistics (SIL) e a Aliança Global Wycliffe. É possível fazer dos meios de comunicação canais de amor e graça em vez de dedicá-los tão somente às programações eclesiásticas ou denominacionais. Podemos e devemos ir além!

Que possamos assumir o nosso papel para mudar o cenário cristão na mídia, por vezes considerado defasado em sua essência e prática. E que sirvamos fielmente, mesmo sem aplausos. Ele está conosco. A Graça triunfará.

Autor: Daniela Xavier