COMUNICAÇÃO E INTERCESSÃO CONECTAM CAMPO E IGREJA

26 de dezembro de 2017    

Mesmo um pouco antes de chegarmos no campo missionário em 2002, já havíamos começado a enviar nossas cartas de oração para intercessores e apoiadores. Mas quando chegamos no Norte da África, para servir entre nossos amigos muçulmanos a tarefa tornou-se mais complicada.

Isto porque a partir daquele momento, por uma questão de segurança, já não poderíamos utilizar nossos próprios nomes nas cartas. O país aonde estávamos começando a servir proíbe a pregação do Evangelho e ao enviarmos nossas notícias teríamos que utilizar pseudônimos, citar o nome do país também não é uma atitude prudente. Enviar fotos pessoais? Nem pensar!

Bem, comunicar algo desconhecido para alguém não é uma tarefa fácil, ainda mais somado a essas restrições. A cada mês seguimos enviando de forma regular nossa carta de oração contando o que tínhamos vivido em cada etapa. Estava sendo um aprendizado para nós e também para os que recebiam nossas notícias.

Me lembro de um intercessor que, sabendo que estávamos servindo em uma país muçulmano, nos escreveu um e-mail fazendo uma paráfrase com a agricultura. Era mais ou menos assim: “Como está a colheita? Tem podido aprender bastante as técnicas de plantio no país aonde está trabalhando? Estamos orando para que haja uma abundante chuva nestas terras e que possam ver frutos…”. Enquanto eu lia seu e-mail fiquei imaginando o quanto este amigo trabalhou para escrever aquela longa carta. Mas suas palavras finais, fizeram todo o esforço inicial, de não comprometer a segurança por sua palavras, ir por água abaixo quando disse: “e finalmente oro para que, em nome de Jesus, cada um dos muçulmanos deste país se converta a Cristo!”. Estávamos todos aprendendo…

Já depois de algum tempo minha esposa falou algo que mudou nossa forma de escrever as cartas. Ela disse que na maior parte de nossa comunicação estávamos focados em transmitir o que já tinha acontecido, mas que não estávamos dando oportunidade para outros realmente servirem aqui com nossa família no campo, pedindo orações pontuais pelos desafios que estavam diante de nós.

Depois disto sempre que tínhamos algo pontual escrevíamos um e-mail pedindo orações aos irmãos. Muitos exemplos vieram à minha mente agora, e este nos marcou bastante, foi quando retornamos de uma viagem, estávamos nós e a irmã A.Z. Tínhamos visitado pessoas que estavam dispostas a caminhar com Jesus Cristo e estávamos muito felizes por isto, então ela recebeu uma ligação. Era sua filha informando que o neto estava mais uma vez internado no hospital, mas desta vez havia acontecido algo mais. A irmã A.Z, agora aposentada, foi enfermeira padrão em toda sua vida e conhecia muito bem a saúde de seu neto e o que sua filha não queria dizer ao telefone… que ele havia morrido. Antes dela fazer esta outra viagem pudemos orar com ela e logo ao chegarmos em casa enviamos este pedido de oração via e-mail para todos intercessores.

No outro dia reencontramos nossa irmã, que nos contou que quando chegou ao hospital, o ambiente entre todos os familiares que lá estavam era de dor, e ao entrar no quarto viu seu neto morto e ali ao lado dele estava sua filha chorando. A irmã conta que em um ato, quase que automático, tirou da bolsa o iogurte que havia comprado, ela que sempre fazia isso quando o neto estava internado, e ali mesmo começou a colocar na boca do menino.

Sua filha e a enfermeira tentaram impedi-la mas não conseguiram, o que aconteceu em seguida foi algo maravilhoso: ele surpreendentemente começou a engolir e os gritos começaram a ecoar nos corredores do hospital: “foi o meu Senhor, foi o meu Senhor que fez isso! Ele trouxe meu neto de novo!”.

Quando recebemos as notícias, comunicamos imediatamente a todos os intercessores. Creiam as orações continuam tocando a muitos de nossos amigos muçulmanos no Norte da África! Como fruto destas orações, já vimos batismos, alguns foram realizados em uma piscina de plástico no centro de nossa sala, esperamos contar esse testemunho em outra oportunidade.

Hoje há muitas ferramentas de comunicação, mas para que as informações cheguem a cada intercessor há um trabalho sério que deve ser feito por cada missionário. Creiam comunicar bem, demanda bastante trabalho. É quando o missionário depois de tudo o que ele possa ter vivido, ainda dedica o tempo adequado para relatar aos que estão juntos com ele na jornada: seus intercessores e apoiadores.

A comunicação e a oração portanto são parceiras, andam juntas, que elas nunca nos faltem!
Se você é o missionário vale relatar da melhor forma o que Deus está fazendo no campo aonde está servindo. Se você é um intercessor faça sempre o melhor uso da informação que chega para toda sua igreja local. Deus trará novas respostas no campo, é certamente essa conexão edificará a fé de muitos na igreja local e contribuirá para o despertamento de novos obreiros. (Mateus 9.38)

Por Família Rios Celeste – missionários da Sepal (Servindo Pastores e Líderes), desde 2002 pregando as Boas Novas aos muçulmanos e servindo a Igreja perseguida no Norte da África.

CLIQUE AQUI PARA SABER MAIS SOBRE O TRABALHO DA FAMÍLIA 

Autor: Redação Povos e Línguas

Conteúdo missionário de referência sobre o que acontece no Brasil e no mundo.