Vocação e crise

19 de julho de 2017     0

Jesus, antes de subir ao céu, deixou claro o que era prioritário em seu coração: Fazer discípulos de todas as nações (Mt 28:16-20). Ele conhecia as fraquezas dos seus discípulos, mas prometeu o Espírito Santo para lhes capacitar a dar testemunho, indo até os confins da Terra e prometeu estar presente com aqueles que obedecem, todos os dias e em todos os lugares.

QUEM É CHAMADO?

Não existe chamado a Cristo para a salvação sem chamado para o discipulado, para o serviço e para a renúncia por amor a Cristo. Um breve panorama bíblico nos permite observar esta realidade pontual. Abraão vivia na grande cidade de Ur. Foi chamado a deixar sua família e terra, e a peregrinar em terra desconhecida. Aprendeu a andar pela fé, sem segurança humana, em obediência a Deus. Moisés foi chamado quando se sentia menos capacitado. Depois de passar 40 anos no deserto cuidando de ovelhas, Deus o chama para a difícil tarefa de libertar seu povo escravizado do Egito e levá-lo à terra prometida.


Não existe chamado a Cristo para a salvação sem chamado para o discipulado, para o serviço e para a renúncia por amor a Cristo.


O profeta Isaías teve o privilégio de ver a glória de Deus, percebeu seu real estado como homem pecador e recebeu o chamado para se tornar o mensageiro de Deus a um povo rebelde. Neemias vivia em posição de destaque na corte real, sensibilizou-se com o sofrimento do seu povo, orou e quis intervir. Serviu com humildade e com firmeza. Ajudou na restauração espiritual do povo enquanto reconstruía os muros de Jerusalém.

Lembremo-nos de Jonas que se preocupava com a ameaça da poderosa Assíria. Foi enviado por Deus para a cidade inimiga, tentou fugir, mas Deus insistiu, prevaleceu, e usou-o poderosamente. Por ocasião da pesca milagrosa Pedro reconheceu ser um pecador indigno da presença de Jesus, e ali recebeu o seu chamado. Deus quebrou sua inconstância e seus preconceitos e o tornou útil para o ministério.

O obstinado Saulo, o judeu defensor de suas tradições, queria eliminar a seita dos nazarenos, mas Jesus se revelou a ele e o conduziu ao arrependimento. Desta forma torna-se Paulo, instrumento de Deus para escancarar a porta da salvação para os gentios.

CRISES NA VOCAÇÃO

Há inúmeros questionamentos e cobranças, imagine você, como mulher solteira, ou vocês, como casal com filho pequeno, irem para tal lugar. É uma loucura, Deus nunca lhes enviaria. Outros são coagidos por um sentimento de incapacidade. Quando cheguei à Angola, fui logo desafiada a me tornar professora de vários seminários. Sentia-me incapaz para realizar tal tarefa. Reais dificuldades na operacionalização, no sustento, nas condições, e os poucos resultados. Diante de todos os desafios devemos nos lembrar de que Deus é fiel (Is 49:1-6).

Os conflitos com colegas também precisam ser administrados, pois todo missionário é uma pessoa que luta pelo que crê. Os conflitos facilmente surgem e infelizmente essa é uma das principais razões do retorno prematuro, portanto devemos aprender a resolver os problemas (Mt 5:23-24).


Está claro que Deus não prioriza chamar os brilhantes, mas os fracos


Está claro que Deus não prioriza chamar os brilhantes, mas os fracos (I Co 1:26-29). As igrejas têm a tendência de ver o missionário como herói ou como pedinte, mas são apenas seres humanos comuns, por isso uma atitude mais compreensiva das igrejas é muito importante.

Há sofrimento e dor nessa caminhada, mas também alegrias. Deus espera que sejamos fiéis e nos recompensará. Uma das marcas de alguém que é chamado por Deus é estar disposto a abrir mão de projetos pessoais para priorizar a obediência ao chamado. Isso não significa que suas fraquezas e ambições são eliminadas. Precisará do moldar paciente de Deus.

O vocacionado costuma pensar que deve saber para onde foi chamado. Porém, o lugar não é o mais importante, pois podemos obedecer ao nosso chamado em um campo, concluir nossa tarefa e servir bem em outro. Em muitos casos Deus dirige o vocacionado para um determinado local por um tempo, mas o importante diante de toda caminhada é estar disponível.

Autor: Antonia Leonora Van der Meer