Missão e educação cristã: a promoção de uma cultura

26 de julho de 2017     0

A missiologia atual é desafiada pela complexidade com que a sociedade globalizada e pós-moderna se organiza. A mensagem continua a mesma: o Evangelho, mas a missão tornou-se tão complexa como complexo é o mundo. A Missão contemporânea exige estruturas e ações que forneçam durabilidade e apreciem a complexidade da cultura a ser impactada pelo Evangelho. O desafio é a promoção de uma cultura cristã, o que exige imediatamente uma estrutura formativa, ou seja, educação.

Historicamente, Missão e educação andam juntas por um motivo básico: o Evangelho evoca uma determinada cultura dentro de outra cultura. Porém, para entendermos a relação entre “educação” e “Missão” precisamos antes compreender a sutil diferença entre “evangelismo” e “Missão”, que comumente são tratados como sinônimos.


Deus está em missão em Jesus para reconciliar o mundo consigo mesmo. Esta reconciliação é cósmica, não meramente individual.


A missão cristã é evangelizar (anunciar o Evangelho), mas não somente isso. Deus está em missão em Jesus para reconciliar o mundo consigo mesmo. Esta reconciliação é cósmica, não meramente individual. Além de salvar os homens de sua ira reconciliando-os consigo, Deus os têm introduzido na nova ordem inaugurada em Cristo. Se esta é a Missão de Deus, ela se tornará inevitavelmente a missão de todo cristão.


A missão implica em compartilhar uma mensagem e também uma cultura.


Os que se ligam a Cristo pela fé tornam-se simultaneamente alvo e partícipes de sua missão. E como missionários, eles têm algo a “comunicar”, no sentido latino de communicare, ou seja, tornar algo “comum” ou “compartilhado”. A missão implica em compartilhar uma mensagem e também uma cultura. Por serem membros do Reino de Deus e por assumirem Jesus Cristo como Senhor, os cristãos vivem no presente uma mentalidade e uma cultura que lhes é peculiar: a cultura do Reino de Deus. Um conjunto de práticas, crenças, valores e tradições e sua singularidade é a centralidade de Cristo.

A promoção de uma cultura exige estruturas formativas. Alguém poderia alegar que tal coisa não existia na Igreja Primitiva. Porém, não seria prudente comparar os desafios missiológicos da Igreja de Jerusalém do I século com aqueles do século XXI. O conteúdo do Evangelho é universal e imutável. Ele se encarna em contextos culturais bem diversificados e ao mesmo tempo os desafia.

A peculiaridade do modus vivendi do cristão exige instituições, projetos e frentes formativas que apreciem sua cosmovisão. A Igreja de Cristo deveria ampliar suas expectativas missionárias e apoiar iniciativas que vão desde a construção de escolas cristãs, a qualificação de educadores e o financiamento de projetos de pesquisa científica realizadas por cristãos. E quem sabe, retomar a tradição que legou ao ocidente universidades como Oxford, Cambridge, Harvard e a Universidade Livre de Amsterdã, afinal mais do que salvar indivíduos, Deus está constituindo um povo para Sua glória.

Autor: Igor Miguel

Casado com Juliana Miguel, pai do João e da Teresa Miguel. Teólogo, pedagogo e mestre em letras (língua hebraica) pela USP. Atua como especialista em educação cognitiva e gestor de projetos educacionais e humanitários com refugiados na SERVED. Pastor de missões na Igreja Esperança em BH/MG, professor do Curso Perspectivas, Instituto Bíblico Esperança e no Curso L'Abri de Espiritualidade e Fé Cristã.