A VIDA JOVEM E UM VELHO PARADOXO

22 de setembro de 2017     0

Juventude e morte são palavras que não combinam. Juventude tem tudo a ver com fazer milhares de coisas ao mesmo tempo, tem a ver com intensidade de relacionamentos, com sede de conhecimento, com começar a ganhar seu próprio dinheiro e autonomia, com sonhar com futuro melhor, desfrutar de liberdade, independência, conhecer novos lugares, viajar o mundo. Juventude tem a ver com vida. E vida é o oposto de morte.

No cotidiano, as coisas nem sempre são tão harmônicas como gostaríamos. Na universidade, lugar que reúne tanta gente, tanta vida, não são incomuns histórias de suicídio. Esta é uma realidade ainda mais presente do que imaginamos. Suicídio é a segunda causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos. Ainda mais: no mundo setenta e cinco por cento dos suicídios ocorrem em países com baixa e média renda.[i]

No corre-corre próprio da juventude, às vezes não nos damos conta que o hoje pode ser o último dia da vida de alguém que não encontra mais sentido para continuar vivo. Na maioria das vezes, nos damos conta disso tarde demais. Triste saber que em alguns segundos toda vitalidade brutalmente distanciou-se de alguns jovens que andavam perto de nós. Resta-nos um enorme esforço para entender suas motivações. Desejamos que a última conversa não fosse a última. Desejamos mudar o rumo dos acontecimentos.

Inconformados, encarando os fatos e confrontados pela abundancia de vida em Cristo, nós, jovens da Cru Campus nos mobilizamos. Nos últimos anos temos participado ativamente de campanhas de prevenção ao suicídio nas universidades de todo país. Protagonizamos campanhas de valorização da vida incentivando pequenos grandes atos que podem mudar o dia ou a vida de alguém. Promovemos eventos, painéis interativos, palestras, rodas de conversa fomentando o diálogo sobre o assunto, distribuindo abraços gratis, sorrisos e mensagens de apoio no campus trazendo à tona a importância da vida e do cuidado mútuo.

Através desses pequenos gestos já ouvimos testemunhos como: “se há lugar na universidade para ações como estas, há lugar para mais coisas na minha vida”; “ isso (um abraço) foi a única coisa que me indentifiquei em todos esses anos aqui na faculdade”; “ não sou religiosa, mas hoje senti Deus muito perto”. Ouvimos também questionamentos: “Por que vocês estão fazendo isso?” Respondemos sobre a prevenção do suicídio. Inconformada, a pessoa volta a perguntar: “Mas porquê?” Então damos a única explicação capaz de dar sentido às nossas ações: Amamos a vida. Jesus é vida. Queremos compartilhar vida.

Recentemente, numa universidade marcada pela hostilização as iniciativas cristãs, criamos uma campanha de distribuição de corações de papel. Neles haviam razões para vida. Ressaltamos treze razões para viver em resposta a uma série televisiva que aborda treze motivos que levam alguém a suicidar-se. Na contra-mão de tudo, nossa proposta foi aderida pelos estudantes que espalharam os corações por todo lugar: “Viver não cabe no Lattes”; “Toda dor é por enquanto”, “ Você não está sozinho”, “O amor vence o medo”, “ Eu vim para que você tenha uma vida verdadeira e eterna. Jesus”

Acreditamos que Jesus foi um jovem cheio de vida. Ele é nosso exemplo, nossa inspiração. Jesus é a vida que transborda em nós e queremos compartilhar. Ele é a razão que dá sentido à nossa existência. Na prevenção ao suicídio abraçamos, acolhemos, valorizamos pessoas, compartilhamos afetos, fé, vida, Jesus.

[i] Dados da Organização Pan-Americana da Saúde. Disponível em http://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5221:grave-problema-de-saude-publica-suicidio-e-responsavel-por-uma-morte-a-cada-40-segundos-no-mundo&Itemid=839

Autor: Elisa Almeida

Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Pernambuco e Mestre em Teologia pela Faculdade Batista do Paraná. Missionária da agência Cru Brasil e atua no ministério com universitários.