ESTRANGEIROS ENTRE NÓS

13 de dezembro de 2017    

Guineenses, congoleses, angolanos, cabo verdianos e muitos outros de diferentes países africanos têm vindo para o Brasil. Eles têm sonhos, expectativas e planos. Estudar no Brasil representa a possibilidade de uma formação acadêmica que os possibilite uma vida melhor aqui ou em seu país de origem. No entanto, essa experiência, muitas vezes, é mais desafiadora do que imaginam.

Inúmeros países enviam estudantes para estudar no Brasil, no entanto, os países que enviam o maior número de estudantes para ficar toda a graduação (4 a 5 anos), são os africanos.

Dentre os muitos desafios enfrentados na sua vivência como estudante estrangeiro eles precisam lidar com o preconceito racial e a ressignificação de sua identidade, eles descobrem que ela representa pouco ou nada em seu novo lugar. Isso gera crises e conflitos pessoais que vão interferir diretamente na adaptação ao seu novo país e inevitavelmente influenciam o seu desempenho acadêmico.

DESAFIOS E ADAPTAÇÃO

O preconceito racial, muitas vezes, é um susto para os estudantes estrangeiros vindos de países africanos. O Brasil tem fama de país aberto às diferenças, uma nação sem preconceitos, acolhedora e bonita por natureza.  Mas ao chegar aqui eles rapidamente percebem que o preconceito racial existe tanto de maneira velada, quanto escancarada. Ele é real e começa a fazer parte da experiência desses jovens tanto na vida acadêmica como na vida social.

Essas questões aliadas às dificuldades de adaptação com a Língua Portuguesa, a dificuldade de entender os códigos culturais brasileiros e o estranhamento têm grande impacto na experiência desses jovens e podem marcar negativamente sua vivência como estudante estrangeiro. O que era para ser uma experiência enriquecedora muitas vezes se torna uma experiência marcada por abusos, sofrimento e ressentimentos.

O POVO DE DEUS E OS ESTRANGEIROS

As Escrituras sagradas vão relatar a história e a condição do imigrante, aquele que por alguma necessidade precisa sair de sua terra natal para procurar melhores condições de vida numa terra estranha. Ele é chamado de estrangeiro e podemos encontrar o termo em vários trechos: “Quando um estrangeiro viver na terra de vocês, não o maltratem. O estrangeiro residente que viver com vocês será tratado como o natural da terra. Amem-no como a si mesmos, pois vocês foram estrangeiros no Egito. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês. Lv 19.33-34

Deus sempre garantiu em Sua Lei a justiça para o estrangeiro (Dt. 10: 16-21; I Reis 8: 41-43; Is. 56: 6, 7, Zc. 7:9-10). E que uma relação justa com esse grupo social, assim como para o órfão, a viúva e o pobre, dava testemunho do caráter justo e amoroso de Pai e, dessa forma, abria a possibilidade de que outros povos pudessem chegar ao conhecimento de Deus.

O plano de salvação e redenção sempre inclui todos os povos da Terra. Os estrangeiros hoje representam, para o povo de Deus, uma oportunidade. Não apenas de exercer a justiça de Deus, mas aproveitar a chance de levar o Evangelho para outras culturas dentro da área de influência da Igreja Brasileira.

No caso dos estudantes estrangeiros, a área de influência é a universidade, um ambiente de inúmeros desafios à fé e a identidade do jovem cristão, mas também um ambiente de oportunidades de engajamento missional. Deus está agindo na universidade e o cristão universitário pode ser juntar ao que Ele está fazendo. Inclusive e especificamente na relação de hospitalidade com estudantes estrangeiros.

GERAR PONTES

Como a comunidade cristã estudantil pode ser resposta para os desafios de estudantes estrangeiros e sua adaptação a uma nova cultura? Há diversas estratégias e iniciativas que podemos propor, como atividades de acolhimento, atividades turísticas, clube de aprendizagem do português, entre outros. No entanto, creio que oferecer amizade e aceitação no contexto de uma comunidade onde eles podem se sentir seguros e amados pode fazer toda a diferença para a experiência de estudantes estrangeiros e de estudantes brasileiros.

Além disso, a longo prazo, estaremos investindo em líderes e influenciadores que farão uma diferença significativa em seus países de origem. Podemos semear em muitos lugares do mundo a partir de pequenas ações onde nós estamos e onde Deus já está agindo.

 

Texto de Érica Reis  – Missionária de tempo integral da Cru, atuando na evangelização de universitários há 10 anos.

Autor: CRU BRASIL

Movimento estudantil universitário que visa ganhar, edificar e enviar discípulos multiplicadores cristocêntricos, que construam movimentos espirituais.