QUANDO FAZER UM INTERCÂMBIO?

3 de agosto de 2017    

Por Josias Junior

Após encerrar uma “vida inteira” no ambiente escolar, é comum (já foi muito mais) na Europa que alguns jovens dediquem um ano em trabalhos voluntários, missionários  ou de caridade em locais diferentes de onde reside, preferencialmente no exterior. Claro que existe todo um contexto sócio cultural que difere as famílias europeias das Sul-americanas quando este período de um ano afastamento (Gap year) pode se enquadrar bem ou não. Qual é o momento adequado?

Vale a pena entender que a família europeia é bem  menos “grudenta” que a brasileira. As crianças europeias estudam em tempo integral (2 turnos) e com todas as atividades extra (esportes, aulas de reforço, piano, etc.) o contato familiar é muito mais escasso. Ao concluir o ensino médio o jovem é encorajado a buscar o seu “próprio espaço” tomando o rumo de sua própria vida. Assim o Gap Year se enquadra bem como um “rito de passagem”, onde o jovem sai em busca de conhecer o mundo com o seus próprios olhos e criar sua próprias experiências.

Como no Brasil, as escolas são de tempo parcial, a quantidade de refeições em família é maior e mais prolongadas, é comum deixar a casa dos pais apenas para casar (o que esta acontecendo cada vez mais tarde). Os jovens possuem a necessidade de uma colocação profissional o mais cedo possível. Levando em consideração os custos para se sair do país como passaporte, visto, passagens, acomodações, curso de língua, etc. De fato isto se torna uma missão quase impossível, porém muito desejada. E neste cenário  o dito Gap Year é cultural e economicamente inconveniente. Porém, não desnecessário.

Entre as famílias de classe média-alta é mais comum as viagens de intercâmbio, mas ainda no período escolar para o aprendizado da língua inglesa. A experiência internacional é sempre recomendada a qualquer momento da vida. Porém, claro que o valor agregado será sempre mais caro com o passar dos anos. O conforto é mais exigente e a possibilidade de ter uma família agregada é maior.


A minha primeira viagem internacional foi ao Canadá em projeto de intercâmbio entre jovens da minha denominação. Além de iniciar o aprendizado da língua Inglesa, pude exercitar o viver na dependência de Deus emocional, espiritual e intelectualmente.


Pois, aos 25 anos já havia um curso técnico, uma graduação concluída e concluindo o curso de teologia e agora me sentia um completo incapaz sem saber me expressar corretamente, cometendo garfes culturais e me arrependia por não ter tido esta experiência quando era mais jovem, talvez antes da primeira faculdade. Depois vieram outras experiências na Inglaterra e EUA.

Em qualquer que seja o país onde você vá, você terá um confronto dos seus valores, da sua cultura e da sua fé. Esteja sempre pronto a aprender, mas seja sábio e hábil para ensinar. Entenda que a comida diz muito da cultura de um povo. Tente aprender sobre os hábitos alimentares. Jesus alerta aos seus discípulos em Lc 10:8 a comerem tudo o que for posto diante deles quando estiverem em uma nova cidade, fazendo assim uma imersão cultural.

Mas o mais importante de tudo é saber voltar. A chance de um retorno frustrado é muito provável, por conta da comparação inevitável. Lembre-se de que a experiência internacional deve se iniciar com o planejamento que inclui o retorno e o que será feito com o aprendizado acumulado. Não tente fazer da sua experiência uma garimpagem de possibilidades. Neste mundo globalizado não existem mais fronteiras para o bom profissional, mas cada coisa ao seu tempo. Ir e voltar ao tempo certo contribuirá para o seu coração e mente atuem na mesma direção e assim você evitará conflitos  e obterá sucesso!

Autor: Josias Junior

Atuou como pastor de Jovens na Igreja Anglicana em Recife-PE durante 12 anos. Hoje é Pastor na Inglaterra.