Formando Vínculos na Jornada Missionária

Por Redação Povos e Línguas     23 de abril de 2017     0
Por Josué Vieira

A importância da formação e manutenção dos vínculos

Todo obreiro transcultural bem preparado percorre uma trajetória de capacitação com alguns pontos convergentes, seja qual for sua linha teológica ou perfil ministerial. Um dos elementos formidáveis dessa jornada está na oportunidade de se formar vínculos pessoais ao longo do caminho. Podemos, de certa forma, comparar esses vínculos às sementes plantadas que dão seus frutos a cada estação.

O risco de se formar vínculos fragilizados nesta trajetória pode comprometer a própria progressão do missionário. A situação fica ainda mais complexa quando, por negligência ou imaturidade aborta-se fases, não se estabelecendo todos os vínculos necessários. Isso com certeza expõe o missionário a muitas situações desagradáveis e perigosas em seu ministério transcultural.

Vejamos, então, cada etapa na formação de vínculos de um obreiro em preparação ministerial para um campo transcultural. Caso você seja um vocacionado, esse infográfico pode ser um mapa não apenas informativo, mas orientador para sua jornada missionária. Se você já é um missionário com experiência de campo, espero que esse material contribua para uma reflexão sobre a sua própria jornada:

Vínculo Espiritual – esse é o ponto de partida. O Senhor da Obra é quem chama seus trabalhadores e gera esse vínculo em seus corações. O resultado de nossa resposta a Deus leva-nos a uma comunhão mais íntima, um desprendimento das coisas temporais e uma disposição voluntária ao serviço na Missão de Deus. Esse vínculo sobrenatural é o que gera o fluir do poder de Deus, nos capacita e faz com que portas ministeriais se abram ao longo de nossa vida cristã. Esse momento já aconteceu em sua vida? Como esse vínculo tem sido renovado e aprofundado ao longo de sua jornada ministerial?

Vínculo Congregacional – a igreja local tem um papel fundamental na formação desse vínculo na vida do missionário. Além de proporcionar discipulado bíblico e oportunidades de envolvimento nos mais variados ministérios locais, o ambiente congregacional será o lugar onde a liderança pastoral identificará na vida do vocacionado o vínculo espiritual do seu chamado transcultural. Daí então, inicia-se um planejamento para desenvolver todas as etapas do treinamento e do envio.

Os relacionamentos pessoais com o pastor sênior, liderança pastoral e famílias da igreja local devem ser aprofundados para que os vínculos sejam fortalecidos não somente no nível ministerial, mas construir amizades espirituais. Uma comunicação clara e transparente sobre a vontade de Deus para sua vida, as necessidades na nação alvo e como seus dons e talentos cooperarão na Obra de Deus naquele local são componentes essenciais na formação do vínculo nessa dinâmica de envio.

“O risco de se formar vínculos fragilizados nesta trajetória pode comprometer a própria progressão do missionário”

Um diálogo aberto com pais, irmãos e demais parentes também deve ser considerado, mesmo que eles não sejam parte de sua igreja local. Como tem sido o vínculo com sua igreja local, liderança, família e amigos? Como você tem nutrido cada um desses vínculos?

Vínculo Transcultural – na maioria das vezes essa etapa acontece via agência missionária, mas também pode ocorrer em um ambiente de igreja local onde as condições para um bom treinamento transcultural são oferecidas. Enfim, nessa fase o vocacionado inicia um aprendizado sobre ferramentas missiológicas que o capacitará para o ministério. O aprendizado de outro idioma também acontece frequentemente nessa fase.

O vínculo transcultural ocorre por meio do convívio com professores e líderes que possuem uma ampla bagagem transcultural, bem como o próprio convívio com missionários e outros vocacionados. Bons relacionamentos com outros missionários sempre são uma maneira de encorajar, entender e ajudar um ao outro nos diversos desafios que, muitas vezes, somente missionários compreendem. Qual tem sido o grupo de missionários com quem você estabeleceu vínculos?

Cada um tem crescido espiritual, ministerial e culturalmente ao longo da jornada missionária?

Vínculo Internacional – essa etapa muitas vezes está integrada ao treinamento transcultural, mesmo assim, permanece distinta. A imersão é parte do treinamento prático em um campo intermediário durante um curto período.

Essa oportunidade ajuda a desenvolver vínculos com pessoas e igrejas internacionais que também têm algo a acrescentar na formação do obreiro transcultural. Quais têm sido seus vínculos além-mar? Você pode identificar uma troca de experiências com estrangeiros no campo?

Vínculos no Campo – finalmente chegamos ao término do importante processo de envio e ao início de uma nova etapa. Agora no campo nos tornamos novamente aprendizes, e o sucesso desse aprendizado ao longo da jornada fará toda a diferença nesse momento. A realidade ao redor agora exige uma série de ajustes para aprender a conviver com um novo povo e estabelecer novas maneiras de se formar vínculos.

Falar outro idioma é o primeiro gigante a ser vencido. Um novo aprendizado se inicia ao desenvolver novos relacionamentos pessoais, uma vez que, por meio deles, nos expomos a diferentes hábitos alimentares, diversas realidades sociais e econômicas. Essa etapa inclui estar atento aos estilos contextualizados para a abordagem de líderes nacionais, o que exige sensibilidade e flexibilidade e uma forma própria em cada esfera social. Isso faz com que exploremos novas formas de expressão e afeta até mesmo nossa maneira de compartilhar as coisas de Deus e viver como povo de Deus.

Esse constante aprendizado não termina na primeira fase missionária, mas se estende ao longo de nossa permanência no contexto transcultural. Como seus ajustes culturais e formação de vínculos transcorreram ou transcorrem no campo? Houve algo que gerou uma estagnação? Você tem aprofundado seus vínculos com os nacionais no campo missionário?

Essa visão panorâmica da jornada missionária pode também ser vista sob a perspectiva da Igreja Brasileira em relação aos seus muitos vocacionados. Como líderes será que temos amadurecido o preparo dos tantos vocacionados nas suas caminhadas além das nossas fronteiras? Temos tido o cuidado de facilitar a formação desses vínculos na vida do vocacionado ao longo do caminho? Temos, de tempos em tempos, nutrido esses vínculos com os missionários que se encontram na linha de frente?

Esses vínculos podem ser comparados a um anel que representa uma aliança, um compromisso pessoal da Igreja Brasileira com o Missionário Brasileiro. Essas alianças proporcionam autoridade espiritual, cobertura pastoral, amizades estratégicas, evitando que se tornem isolados e tremendamente vulneráveis aos ataques do inimigo no campo. Priorizar a formação dos vínculos mencionados pode levar o vocacionado ao campo, mas o cuidado de nutrir esses mesmos vínculos é o que faz com que cada missionário permaneça saudável no campo.

Que venhamos romper qualquer distanciamento passivo, seja na esfera pastoral ou missiológica, a fim de atingirmos o nível de relacionamento semelhante ao que Jesus desenvolveu com seus discípulos: “Já não os chamou mais de empregados,… mas os chamou de amigos…” (Jo 15.15).

Essa forma de interação certamente irá cooperar para que essa nova geração de missionários brasileiros estabeleça vínculos fortes em todas as etapas de suas jornadas entre as nações, e fortalecidos e amparados cumpram cabalmente o seu chamado.

 

Autor: Redação Povos e Línguas

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